Política
MST invade sede do Incra em Alagoas contra nomeação de indicado de Lira
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Integrantes do MST e outras entidades na sede do Incra em Maceió (AL) -Delanisson Araújo Divulgação MST
OMST(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu nesta segunda-feira (29) a sede do Incra em Alagoas como forma de protestocontra a nomeação do indicadopelo presidente da Câmara,Arthur Lira(PP-AL), para a superintendência do órgão no estado.
O movimento afirmou em nota que o escolhido, Junior Rodrigues do Nascimento, 'representa a continuidade da gestão com traços do bolsonarismo'.
Nascimento foi nomeado no lugar de Wilson César de Lira Santos, primo do presidente da Câmara, exonerado no último dia 16. A saídafoi fonte de um mal-estarcom o governo. A solução foi Lira indicar um novo nome, o que, para o governo, tornou ocaso 'superado'.
O MST afirma que havia um acordo entre entidade e o Ministério de Desenvolvimento Agrário de que o substituto do primo de Lira seria o servidor de carreira do instituto José Ubiratan. A entidade afirma que os movimentos pelo direito à terra foram 'surpreendidos com a nova indicação de Lira para a condução do órgão mais uma vez'.
'Segundo os movimentos, a nomeação de Junior acende mais uma luz amarela na condução da política agrária em Alagoas que tem sua cadeira rifada aos interesses individuais em virtude das necessidades coletivas das comunidades e organizações camponesas no estado', afirma a nota do MST.
Segundo o MST, também participam do ano CPT (Comissão Pastoral da Terra), MSL (Movimento Social de Luta), MPL (Movimento Popular de Luta), MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), Movimento Terra Livre e FNL (Frente Nacional de Luta).
Procurado pela reportagem por meio da assessoria, Lira não quis comentar o assunto.
Nas redes, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que a invasão em Maceió 'é um ato criminoso e assim deve ser tratado pelo Judiciário'.
Nascimento foi nomeado pelo governo Lula (PT) para a superintendência regional do Incra(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na semana passada.
Até assumir o cargo, ele comandava a Naturagro, uma ONG que prestava assistência técnica para o Incra no estado. A Naturagro já firmou acordo de cooperação técnica com o instituto neste ano. O termo foi acertado entre Nascimento e o primo de Lira.
O MST pedia a troca do primo de Lira desde o início do governo Lula. Em abril do ano passado, uniu-se a outros seis movimentos campesinos para invadir a sede do Incra em Maceió e pedir a mudança, que gerou irritação de Lira em meio a disputas entre os Poderes.
Em carta enviada ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), neste mês, o MST reforçou a demanda. 'Apesar do histórico de serviço à extrema direita, o superintendente continua ocupando um cargo extremamente importante, com a vossa anuência', diz a missiva.
O primo de Lira havia sido nomeado ao órgão em Alagoas em 2017, ainda na gestãoMichel Temer(MDB), por indicação do deputado federal Marx Beltrão (PP-AL). Permaneceu no cargo durante o governoJair Bolsonaro(PL) com o apadrinhamento de Lira e seguiu no posto no do primeiro ano deLula.
O ministro disse ter procurado o presidente da Câmara antes da exoneração de seu primo para informá-lo da decisão e mostrou a carta encaminhada por movimentos sociais a permanência do superintendente. O clima, segundo o ministro de Lula, era de animosidade. Com a indicação de Lira para substituir o primo, Teixeira passou a considerar o episódio encerrado.
Neste sábado (27), durante a abertura da Expozebu, principal evento da pecuária brasileira, em Uberaba (MG), pecuaristas e políticoscriticaram em discursos as invasões de terraocorridas neste mês. Também cobraram do governo federal medidas para impedir que isso ocorra.
'Chegamos a um número muito triste nesta semana de 48 áreas invadidas neste mês de abril', disse o deputado Pedro Lupion (PP-PR), que pregou enfrentamento ao Abril Vermelho, denominação dada pelo MST à série de invasões (Folha,30/4/24)
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