Política
G20 não tem força para taxar super-ricos, diz economista
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, colocou a pauta da tributação como prioritária durante a presidência do Brasil no grupo
BATANEWS/GABRIEL BENEVIDES
Mesmo com um esforço do Brasil para emplacar pautas relacionadas à taxação de grandes fortunas durante a presidência do G20, o grupo não tem força para emplacar essa mudança a nível mundial. A análise é de Ecio Costa, professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e economista-chefe do Lide Pernambuco.
O especialista cita as resistências internas do Brasil à medida, como no Congresso Nacional. Mas também menciona um posicionamento contrário de outros países, como é o caso dos Estados Unidos.
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“O dilema [da taxação das fortunas] mostra que o G20, não tem tido força para atuar nesse sentido. A mesma coisa se repete com a ONU [Organização das Nações Unidas] ' , disse Ecio Costa ao Poder360.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi o integrante do governo brasileiro que mais se engajou no discurso sobre a tributação proporcional dos super-ricos. A ideia é que o dinheiro arrecadado fosse para o combate da pobreza e da fome.
Haddad se encontrou com representantes de diversas nações para defender o assunto. Um deles foi o papa Francisco. Mas não são todos os países que apoiam a iniciativa.
Ecio Costa menciona os Estados Unidos, que apresenta resistência à proposta ainda durante o governo de Joe Biden (democrata). A resistência deve ser ainda maior com a nova gestão do futuro presidente Donald Trump (republicano).
“É muito provável que ele não leve em consideração as pautas e as decisões que sejam tomadas [no G20] ' , declarou o economista.
Para Ecio, só um movimento internacional conseguiria fazer com que a taxação das grandes fortunas avance. Uma investida nacional promoveria uma evasão de riqueza do Brasil. Isso porque, segundo ele, os super-ricos colocariam o dinheiro em outros países.
“São bilionários, muito ricos. Então, têm uma facilidade de deslocamento, de mudança de cidadania, para outros países que não estão fazendo essa tributação' , declarou.
Mesmo com a visibilidade que ganhará no G20, o ministro da Fazenda ainda deve ser questionado sobre as medidas de revisão de gastos públicos do governo, segundo Ecio.
A equipe econômica se engajou em um discurso sobre o corte de despesas, mas nada concreto foi anunciado oficialmente.
“A gente pode ver em entrevistas coletivas, muito provavelmente, a pressão contínua sobre o ministro para que ele apresente de primeira mão, de forma antecipada, a política de redução de gastos' , disse o economista.
O Brasil se prepara para sediar a próxima Cúpula do G20 a partir de 18 de novembro. O evento reúne os principais líderes das maiores economias do mundo e marca o fim da presidência do Brasil no grupo.
Lula estará presente no encontro, assim como seus ministros. Deve focar em sustentabilidade, e no fortalecimento de políticas multilaterais. Durante o comando do bloco, o Brasil defendeu a taxação dos super-ricos e o combate à fome.
Os presidentes Joe Biden (Estados Unidos) e Xi Jinping (China) são alguns dos nomes mais relevantes na cúpula. O evento será no Museu de Arte Moderna, no aterro do Flamengo.
O Brasil foi escolhido para ser presidente do G20 em 2024. O próximo país a comandar a agenda é a África do Sul.
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