Meio Ambiente
FAO expõe impactos das mudanças climáticas na agricultura e na alimentação
Representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, destaca a importância de reduzir emissões e garantir segurança alimentar, incentivando práticas sustentáveis e agricultura local como resposta às mudanças climáticas.Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
REDAçãO
O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, ressaltou a importância de se investir na produção local de alimentos para garantir a segurança alimentar e nutricional e evitar o transporte dos alimentos por longas distâncias, gerando emissões de carbono durante sua participação no Seminário Jornada pelo Clima no Semiárido Show, em Petrolina (PE). Se não tomarmos medidas para a adaptação e mitigação da mudança climática, os cenários previstos pela FAO mostram que o número de pessoas com fome no 2050, será 15% superior que no caso em que ditas medidas sejam tomadas', alertou.
Como exemplo, o representante da FAO disse que as mudanças climáticas podem impossibilitar o cultivo de algumas espécies de grãos na América Central, e com isto, até 2100, a redução na produção de grãos básicos poderia ser de cerca de 25% da produção no início do século XX.
Jorge Meza, representante da FAO no Brasil: “Precisamos mudar o nosso sistema alimentar pois, atualmente, ao mesmo tempo em que nos alimentamos, contaminamos o mundo” – Foto: Max Valencia/FAO
Meza afirmou ainda que, caso o aquecimento médio global chegue a mais de 1,5 graus Célsius, os investimentos tecnológicos para adaptar os meios de vida à mudança climática, poderiam ser ineficientes. “Precisamos mudar o nosso sistema alimentar pois, atualmente, ao mesmo tempo em que nos alimentamos, contaminamos o mundo. Temos de separar a produção dos alimentos da emissão de gases de efeito estufa', disse.
A mudança climática está minando os meios de subsistência e a segurança alimentar dos pobres do planeta, 80% dos quais vivem em áreas rurais e dependem da agricultura, silvicultura e pesca.
Como medidas de contenção do aumento do carbono no setor agrícola, Meza citou a necessidade de reduzir incêndios, sobrepastoreio e erosão do solo; reciclar os resíduos de culturas e estrume; cultivar com cobertura; estabelecer sistemas agroflorestais; usar variedades melhoradas tolerantes ao calor e à seca; desenvolver a agricultura de precisão; fazer uma gestão integrada da fertilidade do solo; entre outras medidas.
A palestra do representante da FAO foi precedida por uma série de palestras que apresentaram medidas que vêm sendo tomadas pelas organizações da sociedade civil, pela Embrapa e pelo governo federal para melhorar a produção em diversos biomas do país. A Embrapa pesquisa novas culturas, plantas e sementes alternativas às tradicionais que são mais resilientes às características da Caatinga, como o sorgo, o feijão-caupi, o milheto. “Já avaliamos mais de 300 sistemas, e 34 culturas', disse Francislene Angelotti, da Embrapa.
Segundo ela, a instituição tem realizado pesquisas para aplicação de medidas de adaptação com vistas à conservação ambiental. “Em relação à conservação da água, por exemplo, a gente não tem de irrigar 100%, mas irrigar no momento adequado, armazenar água da chuva para consumo animal. A Caatinga é um laboratório a céu aberto: podemos extrair microorganismos para ajudar as plantas a crescerem, pois por exemplo, o milho produz muito mais, quando está junto a certos microorganismos. Estamos pesquisando microorganismos que podem ser extraídos no ambiente quente e seco', relatou.
O diretor da Fundação Araripe, Francisco Campelo, ressaltou a importância do REDESER, projeto que a instituição tem em parceria com a FAO e o MMA, na qualificação da produção usando a ciência, e levando em consideração os saberes locais e a realidade socioambiental. Citou como desafio a compreensão de que, se fizermos agricultura de forma equivocada, degradamos o pouco espaço que temos para a cultura alimentar.
Além disso, Campelo alertou para a necessidade de ter uma estratégia de segurança para conservação das sementes de modo que não se dependa da sazonalidade da safra. “É preciso ter um olhar administrativo sob os processos de restauração. Quando se planta sem planejamento, perde-se a capacidade de plantio', alertou.
Credito. OPR
COMENTÁRIOS

