Esquema do Master com imóveis para ex-BRB usava empresas de fachada e cunhado 'laranja' de advogado preso, aponta PF

Cunhado do operador jurídico Daniel Monteiro foi escalado para figurar como chefe de empresas de fachada que movimentaram milhões em propinas destinadas a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

G1 / BIANCA MUNIZ


Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, e ex-presidente do BRB; e Daniel Monteiro, advogado do Banco Master — Foto: Divulgação e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

PF identificou uso de um conjunto de empresas imobiliárias como eixo de suposto esquema de ocultação patrimonial que envolve ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Nessa estrutura, Hamilton Edward Suaki aparece como diretor formal das empresas, apontado como “interposta pessoa' em esquema para encobrir a titularidade real de bens avaliados em R$ 146,5 milhões.

Segundo a investigação, Hamilton Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, operador financeiro de Vorcaro; Monteiro foi preso nesta quinta-feira (16).

A Polícia Federal (PF) identificou a criação e o uso de um conjunto de empresas imobiliárias como eixo de um suposto esquema de ocultação patrimonial que envolve o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

No núcleo dessa estrutura está Hamilton Edward Suaki, cunhado de Daniel Monteiro, operador jurídico de Vorcaro. Suaki aparece como diretor formal das companhias , que encobririam a titularidade real de bens avaliados em R$ 146,5 milhões. Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro foram presos nesta quinta-feira (16) e Suaki foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Os investigadores da Operação Compliance Zero captaram uma troca de mensagens via WhatsApp entre Costa e Monteiro. Os dois conversam sobre viabilizar uma “estrutura' empresarial para ocultar a real propriedade dos imóveis:

DANIEL MONTEIRO: “A documentação está pronta. Só falta:'DANIEL MONTEIRO: “1. Confirmar imóveis e valores. Vou te enviar a seguir para vc validar.'DANIEL MONTEIRO: “2. Definirmos quem será o diretor das sociedades que comprarão os imóveis. Por favor vc tem alguém que possamos usar (para não misturar com o restante das estruturas que temos)?'DANIEL MONTEIRO: “3. Descer o dinheiro do Astrato para o fundo dono das sociedades que comprarão os imóveis.'

A PF informou que a operação deflagrada nesta quinta-feira investiga 'crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa'. Foram expedidos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

Veja os alvos dos mandados:

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB - alvo de mandado de prisão;Daniel Monteiro, advogado que atua para o Master - alvo de mandado de prisão;Thaisa Menzato, sócia de Daniel Monteiro - alvo de mandados de busca e apreensão;Arthur Caixeta Nogueira, empresário ligado à gestora de fundos Reag - alvo de mandados de busca e apreensão;Monteiro Rusu, escritório de advocacia - alvo de mandados de busca e apreensão;Hamilton Edward Suaki, cunhado de Daniel Monteiro - alvo de mandados de busca e apreensão.

De acordo com a investigação, Suaki foi formalmente designado diretor de seis sociedades anônimas criadas com o objetivo específico de receber aportes de fundos de investimento e adquirir propriedades de luxo.

Segundo a investigação, as empresas Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano estão registradas no mesmo endereço do escritório de advocacia em São Paulo ligado ao cunhado de Suaki, Daniel Monteiro.

A reportagem tentou contato com Hamilton Suaki, que não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto. As empresas citadas também foram procuradas pelo g1 e não se pronunciaram.

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Para a PF, a estrutura societária tinha como finalidade impedir que o nome de Paulo Henrique Costa fosse diretamente associado aos bens. Dessa forma, Suaki é apontado como “interposta pessoa' no esquema, o que comumente é chamado de 'laranja'.

Dados da Receita Federal consultados pelo g1 indicam que Suaki figura como sócio-diretor das seis empresas, todas com atuação principal no setor imobiliário e constituídas entre julho e outubro de 2024. Entre elas, se destacam a Allora S.A., com capital social de R$ 41 milhões, e a Lenore S.A., com R$ 35,1 milhões. Também integram a lista a Stanza S.A., a Domani S.A., a Chesapeake S.A. e a Milano S.A., com capitais que variam entre R$ 4,6 milhões e R$ 35 milhões.

Além dessas companhias, Suaki aparece como diretor de outras empresas do ramo imobiliário que não foram incluídas na investigação.

Imóveis de luxo como propina

As investigações da PF apontam que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro , supostamente usados como propina para facilitar os negócios entre os dois bancos. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões e dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília.

Do montante, cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos . Segundo a investigação, o pagamento total dos valores combinados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube 'da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina' ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.



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